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Sexta temporada de The Flash abre portas para mudanças

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Entre as séries do Arrowverso, produções da CW inspiradas em propriedades da DC, não é exagero dizer que The Flash é a que enfrenta maiores problemas para fugir da zona de conforto. Afinal, em cinco temporadas, apenas as duas últimas não tiveram um velocista como principal antagonista de Barry (Grant Gustin) – isso, é claro, desconsiderando a reviravolta ao final do quinto ano que reintroduziu o Flash Reverso/Eobard Thawne (Tom Cavanagh) como grande vilão. Com o iminente desgaste da fórmula da série, o sexto ano chegou dando espaço para algumas mudanças.

[Spoilers de “The Flash: Into the Void”]

A série recomeça momentos após Barry e Iris (Candice Patton) encontrarem a mensagem de despedida de Nora (Jessica Parker Kennedy), quando um surto de energia no Cofre Temporal frita o vídeo e, consequentemente, o último resquício que o casal tem da voz da filha após ela ser apagada da linha temporal. Sem tempo para o luto, o episódio pula para quatro meses depois, com Flash perseguindo um imitador do Deus da Velocidade, velocista do futuro que apareceu na temporada passada. O caso rapidamente é resolvido, com Cisco (Carlos Valdes) explicando para a namorada, Kamila (Victoria Park) – e para o espectador -, que este foi o quarto Deus da Velocidade falso pego pela equipe Flash.

A cena seguinte, um churrasco na casa de Joe (Jesse L Martin), serve como expositor do momento de cada um dos protagonistas: Cisco está aproveitando a vida sem poderes ao lado de Kamila, Ralph (Hartley Sawyer) está viajando o mundo por conta de um caso de pessoa desaparecida, Caitlin (Danielle Panabaker) não consegue lidar com Nevasca e Barry e Iris estão tentando ignorar o luto pela perda de Nora, confiando que uma nova versão da garota ainda vai nascer.

A maneira como o casal lida com sentimento, aliás, é um dos pontos mais interessantes do episódio: enquanto Iris se prende a tudo que restou da filha, contando com seu retorno, o marido encontra no trabalho e em um sorriso vazio uma necessária distração. Pela primeira vez em muito tempo, vemos Barry fazendo o possível para não ficar parado, forçando o resto da equipe a acompanhar seu ritmo.

Outra personagem que precisa lidar com o luto é Caitlin. A cientista comparece ao velório de sua antiga tutora, onde reencontra Ramsey Rosso (Sendhil Ramamurthy), filho da tal instrutora que pede que a cientista lhe forneça Matéria Negra para um tratamento experimental contra o câncer, prontamente recusado Caitlin.

É então que uma onda de pequenos buracos negros começa a aparecer na cidade, quase levando Iris e Caitlin, sendo esta salva de última hora pelo Flash quando Nevasca se recusa a aparecer para ajudar. As investigações da equipe os levam a Chester (Brandon McKnight), um cientista brilhante que criou uma singularidade dentro da própria garagem, mas ficou catatônico após o experimento. Não demora muito para que Cisco descubra que as funções cerebrais de Chester estão divididas entre seu corpo e os esporádicos buracos negros que surgem em Central City.

O time, já completo com o retorno de Ralph, surge com duas opções para interromper o surgimento de singularidades: jogar uma granada de matéria negra no próximo buraco negro, matando Chester no processo, ou mergulhando Barry no vazio (daí o título do episódio) para resgatar a consciência ausente do rapaz, arriscando a vida do herói. Afirmando que não pretende perder mais ninguém, Flash descarta a primeira alternativa, pedindo para Cisco descobrir um jeito de usar os materiais futuristas deixados por Nora para salvar o meta-humano da semana.

Dito e feito: com Nevasca e Homem-Elástico ajudando a polícia, o Velocista Escarlate salta para dentro do buraco negro (ao som de “Flash Theme”, do Queen, em um dos usos mais épicos da música desde seu lançamento) e salva Chester, que acorda de seu estado catatônico em uma máquina dos laboratórios S.T.A.R.

Com o fim do “caso da semana”, o episódio passa a amarrar as pontas soltas dos dramas de seus personagens. Após conversa com Ralph, Caitlin decide que é hora de deixar seu alter-ego comandar um pouco o corpo ou “arranjar uma vida”.. Já Iris e Barry finalmente conversam sobre a “morte” de Nora e o quanto eles precisam se esforçar para aceitar que ela não voltará.

O casal é interrompido pelo Monitor (LaMonica Garrett), que avisa que o desaparecimento do Flash mudou de 2021 para 2019 e que, sem o sacrifício do herói, trilhões morrerão. O episódio se encerra com Ramsey adquirindo matéria negra de um traficante de armas e usando-a no próprio corpo na tentativa de se curar de um câncer. Obviamente, a cura dá errado e o médico começa sua transformação no vilão Hemoglobina.

Apesar da obviedade da resolução do problema desta semana, “Into the Void” apresentou boas oportunidades que podem mexer com a estrutura de The Flash: o desespero de Barry e Iris para tentar mudar a inevitável Crise, a entrada da cínica e sarcástica Nevasca no lugar da doce Caitlin e a introdução de um vilão mais aterrorizante podem dar à série o sopro de ar fresco necessário para fugir da inércia.

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