Fernanda Strickland*

postado em 03/03/2021 21:50 / atualizado em 03/03/2021 21:52

 (crédito: CB. poder )

(crédito: CB. poder )

O general de brigada Marco Antônio Martin, assessor da Secretaria de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa, em entrevista ao programa CB.Poder desta quarta-feira (3/3), explicou quais são os desafios da vacinação de indígenas contra a covid-19. “Por serem uma população sensível e afastada, às vezes, vivendo em locais de difícil acesso, nós temos obrigação, como Estado, de chegarmos o mais próximo possível dessas comunidades”.

Marco Antonio Martin comenta que o programa de vacinação é para 430 mil indígenas aldeados. “Essas pessoas de uma forma geral, indígenas, aldeados que estão sendo tratados, são em torno de 432 mil pessoas. Serão vacinados apenas indígenas, homens e mulheres a partir de 18 anos de idade.”
O processo está andamento com uma grande conversa com todos os distritos sanitários especiais indígenas.

“Identificamos as áreas que realmente precisam do apoio das Forças Armadas. Existem muitas áreas que se chega por estrada, com carro com uma certa facilidade. Logicamente na área amazônica, em algumas aldeias indígenas na parte central do país, na área centro-oeste, como Xingu. Apesar de terem estradas, as aldeias são muito distantes e o nosso apoio se torna importante. Nós tivemos que empregar helicópteros, porque pela questão também da especificidade da vacina. A gente aplica uma dose agora e, depois de 28 dias, tem que aplicar a segunda. Uma coisa é pensar na logística das grandes cidades, outra é pensar nas aldeias da Amazônia”,afirma Martin.

Além da questão desses intervalos, tem também a questão do próprio clima da Amazônia e a própria geografia. “No Acre, estamos atuando no alto Juruá, uma região que está sofrendo bastante com as inundações, e o helicóptero, às vezes, não consegue decolar. Então, nós estabelecemos ali uma margem, 14 dias, de forma que a gente tenha realmente certeza que vamos chegar no intervalo necessário para não perder a vacina. Hoje, nós temos poucas vacinas no país, e não podemos nos dar ao luxo de perder nenhuma dose, principalmente quando estamos tratando de indígenas”, esclarece o general.

O planejamento e a execução começaram em 22 de dezembro. “Quando basicamente o plano de realização colocou as Forças Armadas para operar na parte de segurança, logística e comando e controle em áreas de difícil acesso. E nós começamos a executar mesmo em 15 de janeiro”, afirma. A vacina chegou em 25 de janeiro.

Ano passado, quando iniciou o plano de enfrentamento à covid, o Ministério da Defesa montou 20 operações. “Aproveitamos para levar várias especialidades de médicos, e, assim, podemos atender mais de 160 mil indígenas, levamos mais de 400 especialistas para diversas áreas e diversas tribos”, expõe o general.

 

Confira a íntegra da entrevista:

*Estagiária sob supervisão de Vicente Nunes

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