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Curitiba

Revista Piaui

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A indígena kaingang Indiamara Morais Veloso, de 41 anos, nasceu e cresceu na Reserva Indígena Mangueirinha, no interior do Paraná. Aos 18, se mudou para Curitiba, onde realizou o sonho de cursar técnica de enfermagem. Em 2009, passou a morar na recém-criada Kakané Porã, primeira aldeia indígena urbana do Sul do Brasil, localizada no perímetro urbano de Curitiba. Embora ainda não tenha conseguido um emprego em sua área de formação, Veloso tem posto seus conhecimentos em prática num novo projeto de telemedicina do Pequeno Príncipe, o maior hospital pediátrico do Brasil. Na aldeia onde vive, Veloso se tornou o ponto de contato entre as médicas do hospital e as mães da comunidade. Ela opera os aparelhos e câmeras do TytyoCare, kit tecnológico portátil que permite a realização de exames físicos à distância, e ajuda na comunicação entre as médicas e os pacientes.

Em depoimento a Plínio Lopes

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Nasci na aldeia de Mangueirinha, em 1980. Vim para Curitiba quando eu tinha 18 anos para cursar enfermagem, porque lá em Mangueirinha isso era difícil de conseguir. Eu queria tentar ser algo melhor. Tive a oportunidade de vir para a capital porque meu primo morava e trabalhava aqui. Minha irmã e meus parentes continuaram morando na aldeia. Quando eu era criança, estudei no colégio que existia ali. Lembro que, depois das aulas, eu e meus colegas costumávamos ir para o centro de cultura fazer artesanato com as sementes que a gente buscava no mato. Eu também trabalhava na lavoura. Essa era a nossa vida.

Hoje as coisas já estão melhores na aldeia. Tem muito índio que virou enfermeiro, técnico de enfermagem, alguns até se formaram em direito. Os ônibus agora vão até lá e buscam o pessoal para estudar. Antes era mais difícil, a gente não tinha essas condições. Por isso eu agradeço por ter surgido a oportunidade de vir a Curitiba para estudar.

Eu sempre quis fazer o curso de técnica de enfermagem. Às vezes meu pai e meus familiares tinham algum problema, algum machucado, e eu sempre estava lá para ajudar. Eu ficava feliz quando ia para uma unidade de saúde e via os enfermeiros trabalhando. Consegui realizar esse sonho quando entrei para o curso, no Senac. Mas foi bem difícil terminar os estudos. Quando vim pra Curitiba, eu trabalhava na feirinha da Praça Osório com meu primo. A gente vendia artesanato indígena: arco e flecha, cocar, maracá, entre outros. Era de segunda a segunda. Eu chegava na feira às seis, seis e meia da manhã, montava a barraquinha ligeiro e saía correndo para o curso. Depois tinha que voltar e ajudar meu primo a atender os clientes. Às vezes ficava até as três da manhã estudando para fazer as provas. Eu não tinha internet em casa, então sofria. Mas com muito esforço, graças a Deus, estamos aí.

Concluí o curso em agosto de 2018, mas por enquanto ainda não consegui trabalhar na minha profissão. Hoje sou auxiliar de serviços gerais na Funai. Já entreguei currículo em vários lugares e agora só estou esperando me chamarem. Assim que isso acontecer, deixo esse meu emprego e vou finalmente exercer a profissão que eu sempre quis.

Mas, graças a um projeto do Hospital Pequeno Príncipe, eu já estou conseguindo colocar alguns dos meus aprendizados em prática. Os enfermeiros e médicos do hospital vão uma vez por mês lá na aldeia, sempre num sábado. Acontece de algumas mães terem dificuldade para entender as médicas, então elas me procuram para conversar. Assim a gente descobre muita coisa que vinha acontecendo na aldeia e que a gente nem sabia.

O projeto está sendo muito útil, principalmente para as mães. Antes, se surgisse qualquer problema de saúde, as pessoas da aldeia precisavam ir até a Unidade de Saúde do Caximba, que fica a 4 km da aldeia. Quando não tinha carro, iam a pé. E com a pandemia a gente também ficava com medo de levar as crianças aos postos de saúde, né? Esses lugares às vezes ficavam muito cheios, e a gente nunca sabe quem está contaminado.

Agora a situação melhorou muito com o Tyto [TytoCare, kit tecnológico portátil]. Ele tem todos os aparelhos que a gente precisa para examinar um paciente. É como ter um médico em casa. O kit inclui até uma câmera para olhar o ouvido e a garganta das pessoas. A consulta é feita a distância por uma médica. Minha função é manusear o aparelho para que ela possa ver as imagens e escutar tudo lá no hospital. Depois da consulta, a médica envia a receita por e-mail, eu imprimo e explico tudo para a mãe das crianças. Se for algo mais grave, que precise de atendimento especializado, eu encaminho o paciente para o hospital.

Esse sistema é importante para a aldeia porque, com a pandemia, ficou difícil a gente se deslocar toda hora. Para mim, que sou mãe de criança pequena, é uma mudança e tanto. E também é uma experiência nova. Nunca pensei que poderia examinar uma pessoa aqui na minha aldeia, nem que iria manusear um aparelho como esse. É uma coisa única. Seria muito bom se outras aldeias também pudessem ter acesso ao Tyto. Em Mangueirinha, por exemplo, onde eu nasci, era muito difícil conseguir acesso a um atendimento especializado.

É gratificante ver os pacientes saindo felizes depois de terem conseguido uma consulta da qual eles precisavam. Esse projeto poderia ter surgido há mais tempo, né? As nossas crianças agora estão sendo bem atendidas, como deveriam. Isso é a coisa mais importante. Nós sabemos que elas são o futuro da nossa aldeia.

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Curitiba

Muralha Digital avança com câmeras no Cemitério Água Verde

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Depois do São Francisco de Paula, o Cemitério Municipal Água Verde é o segundo a receber um novo sistema de videomonitoramento. As câmeras fazem parte do avanço do projeto da Muralha Digital, que consiste na instalação de câmeras em pontos estratégicos da cidade e contribui para a repressão de crimes diversos.

“Nos cemitérios, as câmeras contribuem para inibir e reprimir, principalmente, casos de furto, vandalismo e depredação”, salienta o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Péricles de Matos.

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Além do videomonitoramento, a Guarda Municipal mantém efetivo 24 horas por dia em patrulhamento pelo Cemitério Água Verde, junto com rondas periódicas desenvolvidas com viaturas no entorno.

As secretarias de Defesa Social e Trânsito e de Administração, Gestão de Pessoal e Tecnologia da Informação (Smap) fazem, de forma compartilhada, a gestão da Muralha Digital, projeto que contribui para que Curitiba se consolide como cidade inteligente na área de videomonitoramento e segurança.

Projeto em expansão

Nas Ruas da Cidadania, no Setor Histórico, em praças, nas escolas, na Rodoviária e nas principais ruas da cidade elas estão lá. São os olhos virtuais voltados à segurança, melhoria no trânsito e acompanhamento em tempo real de situações emergenciais, aliados ao trabalho apurado e incansável dos profissionais que trabalham 24 horas por dia, em todos os dias da semana.

Ao longo de 2021, o projeto da Muralha Digital ganhou forma. Com foco na repressão de situações de vandalismo, depredações, furtos, roubos e outros crimes, o sistema de videomonitoramento da administração municipal está sob os olhos atentos de guardas municipais responsáveis pelo monitoramento no Centro de Operações da corporação, de onde são despachadas viaturas e equipes para averiguações e abordagens.

“O videomonitoramento possibilita a geração de informações estratégicas síncronas para um processo de tomada de decisão mais ágil”, afirma o secretário da Defesa Social.

Desta forma, o trabalho da Guarda Municipal é otimizado, ganha eficiência e agilidade, com acionamento das equipes em patrulhamento nas ruas pelo Centro de Operações da GM, que é o coração da Muralha Digital e atende aos pedidos de emergência da população pelo telefone 153.

Integração com radares e botões do pânico

Já são cerca de 460 câmeras instaladas, com funcionalidades diversas – parte delas são panorâmicas e térmicas. Há, também, integração com equipamentos de fiscalização eletrônica de trânsito e câmeras com reconhecimento de placas de veículos (OCR). Os botões do pânico disponibilizados a mulheres com medida protetiva concedida pelo Poder Judiciário também estão interligados à Muralha Digital. 

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Curitiba

Por que as ruas têm velocidades diferentes?

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O crescimento urbano, a existência de comércios, de hospitais e de estabelecimentos de ensino, a convivência de veículos com pedestres e ciclistas, a tipologia e a geometria da via integram uma vasta gama de características e fatores levados em consideração para definir a regulamentação do limite de velocidade.

Cada rua, avenida, travessa ou alameda tem a velocidade máxima determinada a partir de critérios técnicos embasados em legislação federal. E mesmo em uma determinada via, a velocidade pode mudar conforme o trecho percorrido. Por que isso acontece? Confira abaixo perguntas e respostas da Superintendência de Trânsito (Setran) sobre o assunto. 

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Por que Curitiba não adota um limite único de velocidade?

Os diferentes tipos de velocidade não são especialidade de Curitiba – são replicados nas mais diversas cidades. Mesmo nas estradas há trechos em que a velocidade é reduzida. Isso porque todas as vias precisam se basear nas definições do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para definir seus respectivos planos de crescimento, planos diretores e de mobilidade.

Mesmo com a velocidade máxima definida para uma via, trechos com unidades de ensino e grandes polos geradores de tráfego (como igrejas, hospitais ou comércios) terão velocidade reduzida. Isso porque o trânsito é feito por diferentes atores, como pedestres que precisam fazer a travessia (incluindo idosos e cadeirantes) e ciclistas – não só por veículos. 

Como se define a velocidade máxima?

Essa análise é de responsabilidade de um grupo de servidores altamente capacitados, com formação e especialização na área de mobilidade urbana. Eles se orientam especificamente pelos artigos 60 e 61 do CTB, que tratam dos diferentes tipos de vias existentes. A prioridade é na segurança viária, de forma a proporcionar mais tranquilidade para todos que compartilham o trânsito.

O CTB divide as vias conforme a área, urbana ou rural. Conheça os tipos de via no ambiente urbano e as velocidades recomendadas:

Via de trânsito rápido
Caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível. Recebe trânsito mais intenso e podem ter características rodoviárias. É um tipo de via que não existe em Curitiba. As conhecidas como “vias rápidas” têm a denominação formal de vias arteriais.

Via arterial (de 50 a 70 km/h)
Caracterizada por interseções em nível, geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade. Além daquelas que são conhecidas como vias rápidas (Centro-Santa Cândida, Centro-Portão e outras), é o caso de ruas como a Mateus Leme, a Nilo Peçanha e a Anita Garibaldi, além das avenidas Marechal Mascarenhas de Moraes e Comendador Franco e da Linha Verde.

Via coletora (40 km/h)
Destinada a coletar e distribuir o trânsito que tenha necessidade de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arteriais, possibilitando o trânsito dentro das regiões da cidade. São exemplos na cidade as vias Curupaitis, Alagoas, da Trindade e Treze de Maio.

Via local (30 km/h)
Caracterizada por interseções em nível não semaforizadas, destinada apenas ao acesso local ou a áreas restritas, como a Travessa João Prosdócimo e as ruas Ivo Leão, Padre Camargo e Floriano Essenfelder. Atende principalmente as regiões residenciais.

Como saber a que velocidade trafegar?

O condutor deve prestar atenção na sinalização de trânsito, com as placas de regulamentação de velocidade. Em Curitiba, esse trabalho recebe revitalização periódica, inclusive com reforço na sinalização horizontal, que é a pintura no pavimento. 

E atenção: de acordo com o CTB, é responsabilidade do condutor manter velocidade compatível com a via, mesmo que não haja placas. Ele deve entender às características baseadas no critério da fluidez e da sua segurança, buscando uma velocidade moderada para garantir a segurança viária para todos que compartilham a via pública. 

É responsabilidade do motorista dirigir com prudência durante todo o seu trajeto – e não somente onde há fiscalização eletrônica.

Para que reduzir o limite de velocidade nas principais vias da cidade, de 60 km/h para 50 km/h?

O projeto, que iniciou em 2020, está sendo ampliado para algumas das vias mais conhecidas e utilizadas pelos curitibanos. A mudança possui embasamentos técnicos de engenharia da via, como geometria, demanda de tráfego e análise da acidentalidade. Estudos diversos do setor comprovam que a velocidade média e a fluidez no trânsito melhoram com vias urbanas em velocidades regulamentadas em 40 km/h e em 50 km/h.

Ações reconhecidas mundialmente e aderidas por Curitiba, como o Programa Vida no Trânsito (PVT), chancelado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e o Visão Zero recomendam a adoção da redução de velocidade nas vias urbanas, de forma a eliminar ou reduzir as consequências de um acidente.

Curitiba participa do PVT desde 2011 e com intervenções de engenharia, educação e fiscalização de trânsito conseguiu reduzir em 41,62% as mortes no trânsito.

Iniciado na Suécia e incorporado por diversas cidades ao redor do mundo, o Visão Zero no Trânsito propõe intensificar intervenções na infraestrutura viária, ações de educação e de fiscalização de trânsito, de forma a minimizar consequências do erro humano.

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Curitiba

Boqueirão distribui mudas e coleta lixo eletroeletrônico na quinta

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Além de buscar mudas de árvores nativas pelo Desafio 100 Mil Árvores para Curitiba, quem for à Rua da Cidadania da Regional Boqueirão, no terminal do Carmo, também vai poder descartar resíduos eletroeletrônicos, na quinta-feira (27/1), já no período da manhã. 

A Regional Boqueirão vem fazendo o recolhimento desse tipo de material desde o final do ano passado, colaborando com a destinação correta dos itens que têm componentes que podem contaminar o meio ambiente. 

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Podem ser levados equipamentos como ar-condicionado, micro-ondas, TVs, torradeiras, batedeiras, aspiradores, ventiladores, mixers, secadores, calculadoras, câmeras digitais, rádios, computadores, tablets, notebooks, celulares, impressoras, monitores, carregadores de celular e afins.

O material coletado é enviado às associações do Ecocidadão e, posteriormente, à Central de Logística Reversa de Eletroeletrônicos, na Rua João Bettega, implantada após a assinatura de um termo de cooperação do município com a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE).

Outros locais

Equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos fora de uso podem ser entregues, ainda, à coleta seletiva ou levados a um dos ecopontos que a cidade oferece em diferentes bairros. Os mutirões mensais de recolhimento nos parques, que recomeçariam em fevereiro, estão temporariamente suspensos em função do agravamento da pandemia da covid-19.

 

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