Bombeiros combatem incêndios florestais em Poconé, região do Pantanal (as maiores áreas úmidas tropicais do mundo), Mato Grosso, Brasil em 31 de julho de 2020.(foto: ROGERIO FLORENTINO / AFP)
Bombeiros combatem incêndios florestais em Poconé, região do Pantanal (as maiores áreas úmidas tropicais do mundo), Mato Grosso, Brasil em 31 de julho de 2020. (foto: ROGERIO FLORENTINO / AFP)

No Pantanal, um caminhão dos bombeiros se esforça para evitar que os piores incêndios dos últimos anos nesse santuário da biodiversidade situado no sul da Amazônia continue se propagando. 

As chamas devoram há dias o município de Poconé, no interior do estado do Mato Grosso, um pesadelo para os bombeiros, que trabalham até à noite com a ajuda de moradores.
“A gente se encontra aqui com uma grande demanda. Um incêndio florestal de grandes proporções, já estamos há uns dez dias em combate aqui no local. Já foram queimados 50 mil hectares”, explicou à AFP o bombeiro Adrison Parques de Aguilar, em uma operação noturna no fim de semana. 
Dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam a magnitude do desastre no que é considerado um dos maiores pântanos do planeta, compartilhado por Brasil, Bolívia e Paraguai: 1.684 focos de incêndio detectados em julho, o pior registro para esse mês desde que as medições começaram há mais de 20 anos.
Muitos são em consequências de uma estação extremamente seca, com pouca chuva, o que deixou poucas áreas inundadas e muitos locais expostos ao fogo. 
Outros são o resultado das tradicionais queimadas, incêndios causados pelos proprietários de terras que usam o fogo para limpar o terreno para o cultivo ou para a formação de pasto para o gado, que por vezes acabam saindo do controle. No entanto, em julho o governo proibiu o uso de fogo na agropecuária em áreas de floresta por 120 dias. 
Foto do folheto divulgado pelo Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso mostrando uma vista aérea dos incêndios florestais na região do Pantanal, estado de Mato Grosso, Brasil, em 29 de julho de 2020.(foto: MATO GROSSO FIREFIGHTERS DEPARTMENT / AFP)
Foto do folheto divulgado pelo Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso mostrando uma vista aérea dos incêndios florestais na região do Pantanal, estado de Mato Grosso, Brasil, em 29 de julho de 2020. (foto: MATO GROSSO FIREFIGHTERS DEPARTMENT / AFP)

Dezenas de colunas de fumaça emergem permanentemente da extensa planície de arbustos que margeia a Transpantaneira, uma rodovia que passa por enormes fazendas de gado e pousadas turísticas. 

“Já foram queimados 50 mil hectares. A perda é muito grande, a fauna e a flora daqui foram muito prejudicadas nesse período, causando danos irreparáveis ao meio ambiante”, explica o bombeiro, enquanto lança jatos d’água do reservatório que leva nas costas.
Os bombeiros avançam através dos arbustos para apagar as chamas ou encontrar algum foco subterrâneo, que queima lentamente sem chamas a vegetação acumulada no subsolo. 
Caminham em fila, o último da formação armado com uma espingarda calibre 28 para se defender de um possível ataque de alguma onça-pintada do Pantanal, o maior felino das Américas, que pode chegar a pesar 200 kg, e está ameaçado de extinção. 
Essa riquíssima Reserva da Biosfera reconhecida pela Unesco abriga centenas de espécies, entre elas a sucuri-amarela, o jaburu ou tuiuiú (simbólico pássaro do Pantanal) e a ariranha. 
O fazendeiro Antônio Santana Correia Marques se preocupa com as consequências que a intensa fumaça possa causar para a saúde de sua esposa e neto, que está passando as férias em sua casa. 
“É devido à seca. Quantos meses que não chove? Tá muito seco, não teve enchente, então o pantanal tá precisando de chuva”, afirma à AFP. 
A estação seca causa preocupação por causa da pandemia do novo coronavírus, que até junho era relativamente branda nesta região do país, o segundo do mundo com o maior número de casos e mortes. 
Porém, desde junho as curvas de infecção subiram vertiginosamente no Mato Grosso, passando das médias nacionais por milhão de habitantes.

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