Bruna Lima

postado em 13/01/2021 16:38 / atualizado em 13/01/2021 16:38

 (crédito: AFP / Nelson ALMEIDA)

(crédito: AFP / Nelson ALMEIDA)

Após o anúncio de que a CoronaVac possui eficácia de 50,38% contra a covid-19, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, argumentou que não é correto comparar o percentual da vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac aos das demais candidatas que já apresentaram os resultados dos estudos.

“Não houve uma compreensão exata. Eficácia de estudos diferentes não são comparáveis. Para compararmos, teríamos que ter o mesmo desenho, mesma população alvo”, explicou Covas, durante coletiva de imprensa desta quarta-feira (13/1). Segundo ele, o percentual na casa dos 50% da CoronaVac foi obtido “na situação mais dramática de teste em uma vacina”, quando optou-se por selecionar apenas profissionais da saúde para serem voluntários; e, portanto, o grupo estaria mais exposto ao vírus.

Covas ainda argumentou que, na população em geral, a eficácia será superior e chegará aos patamares de 90%, citando o percentual de 91,25% atingido com a mesma vacina em estudo preliminar realizado na Turquia. “A CoronaVac é uma das melhores vacinas atualmente disponíveis no mundo. No Brasil, é a única. A vacina está na prateleira e dói ver isso. Precisamos tirar da prateleira e colocar nos postos de vacinação para iniciar, de fato, a campanha”, pressionou Covas, ressaltando a necessidade de colocar o plano em prática já em janeiro.

Cumprido o prazo, a previsão de Covas é que os reflexos na pandemia da covid-19 comecem a ser percebidos apenas em abril, com diminuição de óbitos e internações. “Até lá, temos uma luta muito intensa contra a epidemia. Temos que usar todas as armas disponíveis e aguardar esse efeito da covid-19”.

2,4 milhões de pessoas em quatro dias

Na avaliação do coordenador-executivo do comitê de contingência da covid-19 de São Paulo, João Gabbardo, além da eficácia acima de 50%, como recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS), às vantagens da CoronaVac podem ser somadas à efetividade, permitindo vacinar aproximadamente 2,4 milhões de pessoas em quatro dias, “contra 40 dias de vacinação no Reino Unido”, para imunizar a mesma quantidade, devido às dificuldades de logística e armazenamento.

“Isso porque é uma vacina que nós conhecemos, temos capacidade de distribuir rapidamente para todos os cantos do Brasil, todo profissional da saúde sabe como utilizar, sabe como funciona e faz isso anualmente com as vacinas da Influenza. Então não tenho nenhuma dúvida que a Anvisa vai autorizar o registro da CoronaVac. Não só o Brasil. O mundo vai aprovar e vai registrar a vacina. Porque é segura, eficaz e tem efetividade, e será muito importante na redução da transmissibilidade da doença”, defendeu Gabbardo.

Na mesma linha, o governador João Doria disse esperar, por uma questão humanitária, a aprovação da Anvisa neste domingo (17), assim como a vacina da AstraZeneca. “Fortaleci o meu apoio em relação a vacina do Butantan e de todas as vacinas contra a covid 19 que, eventualmente aprovadas no Brasil, possam ser aplicadas aos brasileiros”.

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