Sarah Teófilo

postado em 21/11/2020 23:15

 (crédito: Reprodução)

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A rede de supermercados Carrefour foi desligada por tempo indeterminado das suas atividades e a participação da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial após o soldador João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, ter sido espancado e morto por dois seguranças brancos de uma unidade em Porto Alegre (RS), nas dependências do mercado. 

“Repudiamos com todas as nossas forças o assassinato do cidadão negro João Alberto Silveira Freitas, por seguranças do Supermercado Carrefour, na cidade de Porto Alegre. É criminoso um ambiente empresarial em que um cidadão entre para fazer uma compra e saia morto. E é conivente todos aqueles que se omitiram e não tomaram as medidas para que essa morte fosse evitada. Inclusive os que se calam”, diz a nota.

A entidade é formada por 73 grandes empresas e instituições signatárias, dentre elas Coca-Cola e Petrobras, que são “comprometidas com a promoção da inclusão racial e a superação do racismo”. Conforme grupo, o universo da iniciativa envolve mais de R$ 1,3 trilhão em faturamento e mais de 800 mil pessoas, com empresas de alcance global.

A morte de João Alberto, ou Beto, gerou grande revolta no país. Os dois seguranças brancos, sendo um deles policial militar temporário, foram presos em flagrante por homicídio triplamente qualificado. A causa da morte, segundo análises iniciais do Instituto Geral de Perícias do RS (IGP-RS), foi asfixia

Agressão

Beto estava no mercado com a companheira no último dia 19 à noite. Após um desentendimento, saiu do mercado com outros dois seguranças. Imagens do circuito interno do mercado, obtidas e divulgadas neste sábado (21/11) pela TV Globo, mostram a dinâmica dos fatos. Quando o soldador está na porta do estabelecimento, ele desfere um soco contra um deles, e imediatamente começa a ser agredido com muitos socos e é jogado no chão, onde as agressões continuam.

Um terceiro homem chega ao local, e fica também em cima de João. Apesar de imobilizado, ele continua sendo agredido. Depois de mais de um minuto de agressão, é possível ver a companheira de João, Milena Borges, chegando ao local e tentando impedir as agressões. Ela é afastada por seguranças. João Alberto fica imobilizado no chão, com dois seguranças com os joelhos em suas costas. Assim eles ficam por cerca de dois minutos, até que é possível ver que as pernas de Beto param de se mexer.

Carrefour

Em nota, a rede Carrefour afirmou que o dia 20 de novembro “foi o mais triste da história” da empresa. “Daremos todo o apoio à família de João Alberto Silveira Freitas e, em respeito a ele, nossa loja de Passo D’Areia fechou ontem (sexta-feira) e permanecerá fechada hoje (sábado). Além disso, todo o resultado das vendas do dia 20 de novembro das lojas Carrefour Hipermercados será doado para entidades ligadas à luta pela consciência negra”, afirmou.

A rede garantiu que ontem reforçou o treinamento antirracista com todos funcionários da empresa e terceirizados. “Continuaremos com nossa transparência, informando os próximos passos. Nada trará a vida de João Alberto de volta, mas estamos certos de que este momento de profundo pesar se converterá em ações concretas que impedirão que tragédias como essa se repitam”, pontuou.

O CEO global do grupo, Alexandre Bompard, publicou em seu Twitter que “as imagens postadas nas redes sociais são insuportáveis”. “Eu pedi para as equipes do Grupo Carrefour Brasil total colaboração com a Justiça e autoridades para que esse os fatos deste ato horrível sejam trazidos à luz. (…) Meus valores e os valores do Carrefour não compactuam com racismo e violência”, escreveu.

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