Correio Braziliense

postado em 05/09/2020 01:04

Um novo estudo brasileiro do grupo Coalizão Covid-19 Brasil concluiu que o antibiótico azitromicina não traz benefícios na recuperação de pacientes adultos hospitalizados com formas graves da doença. Os resultados foram publicados, ontem, na revista científica The Lancet. Segundo o estudo, não houve diferença na recuperação dos pacientes que receberam o antibiótico e dos que não receberam.

Este é o primeiro estudo randomizado do mundo para testar os efeitos da azitromicina em pacientes de covid-19 em estado grave. Segundo a coordenadora do Comitê Científico da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), Flávia Machado, o medicamento é um antibiótico usado no tratamento de pneumonia bacteriana, mas nunca havia sido testado efetivamente contra o novo coronavírus.

“Da mesma forma que a hidroxicloroquina, a azitromicina tem sido muito usada por médicos para tratar covid sem nenhuma evidência de real benefício. Então, a importância do estudo vem exatamente do fato de a gente estar, agora, mostrando cientificamente que a substância não tem eficácia. É lógico que a gente gostaria de mostrar o contrário, gostaria de encontrar uma solução, algo que ajudasse, mas também não adianta a gente se iludir e continuar usando medicações que não têm efeito”, declarou Flávia, em entrevista ao Correio.

Ao todo, 397 pacientes infectados serviram de base para a análise principal da pesquisa.Todos eram portadores de fatores de risco para agravamento da doença e cerca de 50% dos pacientes incluídos no estudo estavam em ventilação mecânica no início da pesquisa. Por meio de um sorteio, 214 pacientes receberam azitromicina mais o tratamento padrão; e 183 receberam tratamento padrão sem azitromicina.
A avaliação, feita 15 dias após o início dos tratamentos, mostrou que não houve diferença significativa na mortalidade e no tempo médio de internação entre os grupos. De forma prática, os médicos ganham evidência científica para poder interromper o uso da azitromicina no tratamento desses pacientes.

“Lembrando que o nosso estudo se refere apenas a pacientes com covid-19 moderada ou grave, ou seja, aqueles que estão utilizando oxigênio em maior quantidade, usando algum tipo de suporte ventilatório, ou estão em ventilação mecânica”, explicou.

Porém, nota informativa do Ministério da Saúde recomenda o uso do antibiótico junto com hidroxicloroquina em pacientes adultos com sinais e sintomas leves da doença.

Balanço

O registro de novos casos e mortes do novo coronavírus parece não querer dar trégua. Ontem, o Brasil voltou a registrar mais de 50 mil infecções em 24 horas. Foram 51.194 novas confirmações. Com isso, o país acumula 4.092.832 diagnósticos positivos. O país não batia a marca de casos diários pela covid-19 desde 22 de agosto. Também ultrapassou, ontem, os 125 mil mortos em decorrência do novo coronavírus. Balanço do Ministério da Saúde apontou 907 óbitos de quinta para sexta-feira, levando o total de vítimas fatais a 125.521.

Atualmente, 22 uni-dades federativas acumulam mais de mil mortes cada. Quem lidera o ranking negativo é São Paulo, com 31.091 óbitos pelo novo coronavírus, acumulando mais de um quarto das mortes brasileiras. O Rio de Janeiro é o segundo, com 16.467 vítimas da covid. Os dois são os únicos estados com mais de 10 mil vidas perdidas. Em seguida estão: Ceará (8.555), Pernambuco (7.645), Pará (6.228), Minas Gerais (5.708), Bahia (5.590), Amazonas (3.834), Rio Grande do Sul (3.650), Paraná (3.505), Maranhão (3.488), Goiás (3.400), Espírito Santo (3.235), Mato Grosso (2.873), Distrito Federal (2.681), Paraíba (2.517), Santa Catarina (2.376), Rio Grande do Norte (2.281), Alagoas (1.917), Sergipe (1.880), Piauí (1.868) e Rondônia (1.172). No pé da tabela estão Mato Grosso do Sul (939), Tocantins (730), Amapá (670), Acre (623) e Roraima (598).

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