Marco Faleiro*/Estado de Minas

postado em 23/02/2021 14:43

 (crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

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Em entrevista a um telejornal local, a infectologista Marisa Reis, integrante do Comitê Científico do Rio Grande do Norte, recriminou a recomendação do uso de ivermectina feita pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB). Segundo a médica, ”mais de 90% dos doentes que estão internados nas nossas UTIs (no RN) fizeram uso de ivermectina. Então significa que ela não é capaz de fazer o que se promete”, comenta.

“É um acinte ao conhecimento médico, ao conhecimento científico. É inaceitável que médicos e o prefeito da cidade de Natal, que é médico, venham dizer que vão distribuir ivermectina nos postos. Isso é uma vergonha. Não adianta as pessoas se esconderem por trás de um comprimido de ivermectina achando que ele vai protegê-las. Não vai! Não há evidências de que esse medicamento protege contra a COVID”, advertiu Marisa.

Com alta de internações na capital, o prefeito indicou o uso da ivermectina no tratamento contra a doença causada pelo novo coronavírus.

“Até que a vacinação em Natal esteja concluída, o prefeito Álvaro Dias pretende reforçar as políticas de prevenção à doença e as voltadas para o tratamento precoce. O uso da Ivermectina, como medicamento profilático, por exemplo, é apontado pelo prefeito como extremamente necessário e benéfico, por evitar a disseminação da doença e ajudar a reduzir a carga viral e, assim, diminuir frontalmente os efeitos da COVID-19 nas pessoas”, diz comunicado da prefeitura de Natal divulgado em 15 de fevereiro.

A ivermectina é usada no tratamento de vários tipos de infestações por parasitas, entre elas as causadas por piolhos e sarna. O remédio entrou na pauta das discussões sobre a COVID-19 e possíveis indicações para terapia, e já foi recomendado como eficaz para tratar o coronavírus pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e pelo presidente Jair Bolsonaro.

 

O medicamento, entretanto, não tem eficácia comprovada, e o próprio fabricante, a farmacêutica Merck, comunicou que não há evidência de efeitos positivos do antiparasitários na terapêutica da COVID.

Há relatos de desenvolvimento de hepatite medicamentosa em pacientes por uso excessivo da Ivermectina.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, a taxa de ocupação de leitos de UTI para a COVID na rede pública é de 88%. Apenas 33 dos 275 leitos críticos do SUS para o tratamento de casos graves da doença estão disponíveis.

Segundo o boletim epidemiológico do RN, até o dia 22/2 havia 160.752 casos confirmados de COVID-19 no estado e 3.498 mortes decorrentes da doença.

 

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