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O produtivo cenário heavy metal da Suécia

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Desde o surgimento do heavy metal, apareceram inúmeros subgêneros do estilo, como o thrash, o death, o black, o power e outras tantas vertentes. E acredite: um dos cenários mais prolíficos é o do heavy metal da Suécia.

No boom desses movimentos, alguns países acabaram se sobressaindo na arte de lançar bandas, artistas e tendências. Por exemplo, quando se fala de thrash metal, é inevitável não lembrar da Baía de São Francisco (EUA), que foi berço de bandas como Metallica, Megadeth, Slayer, Exodus, Testament e tantos outros pilares do estilo.

Se o assunto for heavy metal mais tradicional, fica praticamente impossível não se lembrar da Inglaterra, que viu surgir gigantes do estilo, como Black Sabbath, Iron Maiden, Judas Priest e Motorhead. Por fim, jamais podemos esquecer a contribuição brasileira, com os enormes Sepultura e Angra.

As bandas citadas são de conhecimento até mesmo de pessoas não tão chegadas na música pesada, isso é fato. Porém, para quem já tem os ouvidos iniciados, existe um país que é uma verdadeira usina de criatividade, que produz como cidades industriais produzem poluição: a Suécia.

A música da Suécia

Localizado na Escandinávia, o País com população estimada em 10 milhões de pessoas revelou ao mundo alguns nomes de inúmeros estilos musicais, desde o pop até o metal extremo.

Talvez o primeiro contato musical que você teve com a música de lá se deu com o Abba, já que dificilmente exista um ser humano do planeta que nunca ouviu uma música do conjunto.

Caso você seja um pouco mais novo e não se lembre do Abba, talvez o Roxette ajude a refrescar a sua memória.

Feitas as devidas apresentações, é hora de ligar os amplificadores e mergulhar de cabeça em um dos países mais prolíficos na arte de fazer barulho.

As origens do heavy metal da Suécia

Com o boom do hard rock e do metal nos anos 1980, um nome em especial mostrou que existia rock muito bom sendo feito na Suécia: o Europe, grupo que, com cabelo e visual extravagante, foi responsável pela criação de um dos maiores hits daquela década, a icônica “The Final Countdown”, lançada em 1986 e que até os dias de hoje é relembrada.

Bem, e como a moda naquela década era ser exagerado, ali surgiu um dos guitarristas mais performáticos de todos os tempos, que atende pelo nome de Yngwie Malmsteen: dono de um talento enorme, proporcional aos seus ataques de estrelismo. Apostando em uma mistura de heavy metal e hard rock com toques de música erudita, até hoje é um dos músicos mais influentes em seu instrumento.

Com milhões de discos vendidos, tanto o Europe quanto Malmsteen foram muito importantes ao abrir as portas para uma próxima geração do heavy metal da Suécia que estariap or vir. E essa turma não decepcionou, colocando de vez o país no mapa do metal.

As cenas de Estocolmo e Gotemburgo

Já no final dos anos 1980, o metal extremo, representado principalmente pelo black e death metal, começou a tomar forma e se espalhar. Bandas surgiam aos montes em todo lugar do mundo, principalmente nos Estados Unidos. Na Suécia, a coisa não foi diferente, e grandes representantes começaram a brotar entre o final da década de 80 e o início dos anos 90.

Com guitarras sujas, batidas avassaladoras, vocais aterrorizantes e um pé no punk rock, nomes do calibre do Entombed, Unleashed e Dismember chocaram o mundo e ajudaram a consolidar uma cena: o death metal de Estocolmo.

O mundo todo começou a virar seus olhos para a capital sueca, e acompanhar as pedradas que saíram dali. E foram inúmeras, capitaneadas, sobretudo, pelos grupos acima citados. Até hoje, tanto o estilo quanto as bandas continuam exercendo forte influência.

Mas já diria o sábio que nem só de barulho vive o ser humano. Estava na hora de fazer música mais melódica. Então, alguns músicos tiveram a brilhante idéia de misturar a crueza do death metal com a harmonia do heavy puro e simples.

Tendo a banda inglesa Carcass como uma das pioneiras a unir a pancadaria com a melodia, nos anos 90, em outra importante cidade sueca a união do peso e da melodia começou a ganhar força, e com toda a razão o movimento ficou conhecido como o “Som de Gotemburgo”, ou death metal melódico.

Três nomes da cidade foram extremamente importantes para tornar o subgênero uma febre mundial: At The Gates, Dark Tranquility e In Flames. Apostando firme em guitarras carregadas de melodia, vocais gritados, muitos teclados e letras um pouco menos insanas, a repercussão foi tão grande que o At The Gates chegou até mesmo a fazer relativo sucesso na MTV com o vídeo de ‘Blinded By Fear”, música do álbum “Slaughter Of The Soul”, que além de ser o disco mais famoso da banda, é uma espécie de manual de instruções do death metal melódico, junto com “The Galery”, do Dark Tranquility”, e “The Jester Race”, do In Flames.

Em menos de uma década, o heavy metal da Suécia conseguiu um feito gigantesco: ter dois movimentos importantes para o desenvolvimento do estilo nos anos seguintes. Daquele ponto em diante, surgiram bandas do mesmo estilo que você ouve falar até os dias de hoje, como Opeth, Arch Enemy, Soilwork e Amon Amarth, que agregaram outros elementos na complexa sonoridade, como o progressivo e o industrial.

No restante do planeta, o “Som de Gotemburgo” também deixou seus filhotes, casos de Children Of Bodom, The Black Dahlia Murder e outra infinidade de bandas que deixaram o então inovador estilo em algo mais moderno ainda.

Heavy metal da Suécia no século 21

Até os dias de hoje, a grande maioria das bandas citadas continuam influentes e em atividade. Entre todas elas, o In Flames foi a que alcançou o maior sucesso, porém, com um som que beira o rock alternativo, mudança que não agradou os fãs mais radicais.

Das raízes do Soilwork e do Arch Enemy, nasceu o The Night Flight Orchestra, que faz uma inusitada mistura de heavy metal com ritmos oitentistas, o que conquistou o coração e o ouvido de muita gente.

Veja também:
The Night Flight Orchestra: a banda de rock para viajar no tempo e dançar

Outro nome que precisa ser citado é o Candlemass, surgido nos anos 1980 e que é uma das maiores bandas de doom metal. O disco “Epicus Doomicus Metallicus” é fundamental para qualquer ouvinte do gênero musical, caracterizado por músicas lentas e densas.

Claro que existem outras bandas que ficaram extremamente conhecidas e continuam deixando o nome da Suécia em evidência, como os progressivos Pain of Salvation e Evergrey, os extremos Meshuggah e The Haunted, além do Sabaton, sem deixar lado o hard rock de Backyard Babies e Crashdïet. E é por esta última que passou o ícone atrás do maior fenômeno sueco da atualidade dentro do metal, Tobias Forge.

Caso não tenha ligado o nome com a pessoa, Tobias é o líder, fundador e mente pensante por trás do Ghost, que é uma das bandas mais curiosas e intrigantes dos últimos tempos. Com vestimentas macabras, letras que abordam o ocultismo e uma sonoridade que consegue misturar clima de terror com uma veia incrivelmente pop, a criação de Tobias não dá espaço para meio termo: é amor ou ódio.

Enquanto alguns se apaixonam pelo contraste da imagem pesada com o som extremamente acessível, outra grande parcela do público detesta a banda pela mesma razão. E tudo isso passa pela mente de Tobias, que recentemente revelou sua identidade.

Seja para agradar ou causar ódio, o Ghost continua sua caminhada de sucesso. Enquanto isso, Tobias Forge vai se consolidando como uma das personalidades mais talentosas de sua geração, goste você ou não. E a banda é de longe uma das maiores expoentes do que o país escandinavo pode nos proporcionar!

O cenário da música pesada na Suécia é uma verdadeira fábrica de sucessos, seja no hard rock, seja nos territórios mais extremos da música. Para quem gosta de música pesada de qualidade, olhar para a Escandinávia é uma boa, já que como essa matéria mostra, o país que complicou para o Brasil na Copa de 1994 tem muito mais coisas do que os vikings e o Ibrahimovic. E aparentemente, essa produção vai demorar muito para acabar. Sorte a nossa de poder acompanhar tudo isso!

E aí, qual sua opinião sobre as bandas e o cenário do heavy metal da Suécia?

Até semana que vem, com mais música de qualidade!

*O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cifras.

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