O governo do Estado planeja colocar todas as cidades de São Paulo em lockdown, entre 22 horas e 5 horas, para frear o avanço da Covid-19. A ideia foi defendida nesta terça-feira (23), em reunião com o Centro de Contigência da Covid-19, e tem forte apoio dentro do governo, segundo apurou o Estadão. Nesta semana, o Estado de São Paulo atingiu seu maior número de internações em UTI desde o início da pandemia. A decisão final será tomada nesta quarta-feira (24), quando o governador João Doria (PSDB) vai anunciar as novas medidas de restrição.

Ainda não há detalhes sobre como seria a fiscalização, mas a intenção é que haja uma “orientação” para que as pessoas fiquem em casa nesse período. Não se fala ainda em atuação da polícia impedindo as pessoas de saírem às ruas. Bares, restaurantes e comércio estariam fechados. Uma nova reunião na manhã desta quarta-feira vai ainda definir os detalhes. 

Segundo o Estadão apurou, o governo não pretende, por enquanto, mudar o funcionamento das escolas públicas e particulares, que voltaram às aulas presenciais neste mês. O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, é um forte defensor de as escolas continuarem abertas mesmo em períodos mais críticos da pandemia, mas tem sofrido pressão de sindicatos dos professores.

Um decreto estadual, de dezembro, permite a continuidade das aulas presenciais mesmo na fase vermelha, a mais restritiva do programa estadual de flexibilização, o Plano São Paulo. A Prefeitura da capital também não tem intenção de restringir a volta às aulas presenciais nas redes pública e privada. segundo fontes.

Entidades do terceiro setor, como o movimento Escolas Abertas, que reúne 150 mil mães e pais de alunos, têm se manifestado contra  fechar novamente das unidades.  Em países como Reino Unido e Alemanha, as escolas também foram as últimas a serem fechadas na segunda onda da pandemia que atingiu a Europa no início do ano. Mas o primeiro ministro Boris Johnson anunciou nesta segunda que elas serão reabertas em 8 de março, mesmo com o país ainda em lockdown, com testes em massa dos alunos mais velhos. Academias e salões de beleza, por exemplo, devem ser autorizados a abrir só depois de 12 de abril. “Todas as evidências mostram que a escola é segura e os riscos para as crianças são muito pequenos”, disse Johnson.  

Em São Paulo, a situação do interior é a que mais preocupa. Algumas cidades, por causa do aumento da pandemia e do colapso no sistema de saúde, decretaram lockdown para tentar reduzir a transmissão do vírus. Araraquara é um dos municípios que fecharam tudo – incluindo supermercados – para tentar conter a contaminação. Na cidade, 98% dos leitos estão ocupados.

São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, também anunciou nessa segunda-feira (23), o toque de recolher entre 22 horas e 5 horas e adiou a volta às aulas presenciais, que seriam no dia 1º de março. O governo tem ampliado a oferta de leitos, mas a situação pode ser replicada para outras cidades. Atualmente, a taxa de ocupação geral de leitos no Estado de São Paulo está em 67,9%.

As medidas que devem ser anunciadas nesta quarta-feira são adicionais ao Plano São Paulo, o programa estadual de reabertura econômica, com as cores verde, amarelo, laranja e vermelho, e determinam as regras para o funcionamento de atividades. A classificação é feita de acordo com o número de infecções e mortes, ocupação de leitos, dentre outros fatores. Pelo menos quatro regiões do Estado (Presidente Prudente, Barretos, Araraquara/São Carlos e Bauru) estão no alerta máximo. A Grande São Paulo e a região de Campinas, onde Jundiaí está inserida, está na fase amarela.

Com informações do Estado de S. Paulo.

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