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Cuidem da saúde mental para que a depressão também não vire pandemia

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Considerada um transtorno mental afetivo, ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades corriqueiras, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear. Isso significa que quem sofre de depressão tem a sua rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada. Já passou da hora de compreendermos que a depressão é um “câncer” na alma.

A OMS (Organização Mundial de Saúde), afirmou, em meados de 2018, que até 2020 depressão seria a doença mais incapacitante do mundo. Quando fez esta declaração sequer imaginava que em 2020 o mundo inteiro estaria vivenciando uma pandemia.  Atualmente, mais de 120 milhões de pessoas sofrem com a depressão no mundo – estima-se que no Brasil, são 11 milhões, 6% da população foram diagnosticados com depressão. E cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da doença.

A carga da depressão e de outras condições de saúde mental está em ascensão no mundo. Uma resolução da Assembleia Mundial da Saúde, aprovada em maio de 2013, exigiu uma resposta integral e coordenada aos transtornos mentais em nível nacional.

Como lidar com a ansiedade e a depressão em tempos de coronavírus?

A manifestação de transtornos mentais, e de patologias comportamentais, impulsionados pelo novo coronavírus, tendem a aumentar no Brasil, nas próximas semanas, dizem especialistas. O país tem o maior número de ansiosos no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS): são 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) que convivem com o transtorno.

Os dados afirmam que 2002 e 2003, outro coronavírus, causador da Sars (síndrome respiratória aguda grave), levou à morte 800 pessoas no mundo, e a angústia causada por ele, deixou 42% dos sobreviventes com algum tipo de transtorno mental, como mostrou uma pesquisa publicada na revista East Asian Arch Psychiatry, em 2014. Mais da metade das pessoas teve transtorno de estresse pós-traumático.

A primeira coisa a se fazer é aceitar que a gente pode se preocupar com a situação, mas manter as atividades cotidianas dentro da possibilidades de realização mantendo os pensamentos ligados à esperança, à positividade, à luta e ao amor pela vida.

Evitem assistir, assistir, ler ou ouvir notícias sobre coronavírus que possam causar angústia

No início de março deste ano, a OMS publicou uma nota aconselhando que as pessoas evitem assistir, assistir, ler ou ouvir notícias sobre coronavírus que possam causar angústia. O alto nível de estresse em pacientes que ficaram em quarentena devido ao vírus também foi tema de um artigo na revista britânica de medicina Lancet, em fevereiro de 2020, no qual pesquisadores fazem uma revisão de impacto psicológico do isolamento. “Privar as pessoas de sua liberdade para o bem público em geral é muitas vezes controverso e precisa ser tratado com cuidado. Se a quarentena é essencial, nossos resultados sugerem que os funcionários devem tomar todas as medidas para garantir que essa experiência seja a mais tolerável possível para as pessoas”, dizem os cientistas. O texto sugere, entre outras atitudes, que é preciso dizer “às pessoas o que está acontecendo e por que, explicando quanto tempo isso continuará”.

O lado bom da ansiedade em tempos de crise

O psiquiatra Leonardo Ramos explica que a ansiedade é algo fisiológico, comum a todo mundo e essencial para a nossa sobrevivência. “A ansiedade faz, por exemplo, que a gente decida, perante uma situação de perigo, se vamos lutar ou fugir. É o que nos prepara biologicamente para enfrentar os desafios”, explica. “No caso de uma pandemia como a do novo coronavírus, a ansiedade é um elemento que precisa existir. Inclusive, governantes têm que sentir algum grau de ansiedade a respeito dessa questão, senão terminam fazendo declarações bizarras, como dizer que o problema ‘não é nada demais’ ou ‘uma fantasia ‘”.

Todas as informações deste artigo foram conferidas pelo Portal Raízes. Dentre as várias fontes pesquisadas, estão: World Health Organization
Relatório Mundial de Saúde – Saúde Mental, nova concepção, nova esperança; Revista Medicina Lancet; Uol

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