Home America Vídeo não comprova acusação de Moro sobre interferência de Bolsonaro na PF, avalia fonte jurídica do governo

Vídeo não comprova acusação de Moro sobre interferência de Bolsonaro na PF, avalia fonte jurídica do governo

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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, divulgado nesta sexta-feira por decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), não comprova a acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir nos trabalhos do comando da Polícia Federal, disse à Reuters uma fonte ligada à ala jurídica do governo.

A fonte disse que, na avaliação de assessores jurídicos do presidente, não há demonstração de indício de crime cometido por Bolsonaro ao fazer cobranças aos ministros no encontro. A fonte, no entanto, preferiu não fazer qualquer tipo de consideração sobre o conteúdo da fala do presidente do ponto de vista político.

A segurança para tal avaliação, segundo a fonte, se dá depois que a Advocacia-Geral da União (AGU) ter mudado de orientação sobre a liberação do vídeo –inicialmente não queria qualquer tipo de divulgação– para permitir que isso ocorresse praticamente na íntegra.

Ao apresentar dias atrás a degravação de dois trechos da reunião ao Supremo, a AGU disse que Bolsonaro referia-se à sua insatisfação quanto à segurança pessoal e não de troca da Polícia Federal.

Reservadamente, a avaliação desses auxiliares é que não foi de todo ruim a divulgação feita pelo ministro Celso de Mello, porque a grande preocupação era com trechos que poderiam prejudicar relações diplomáticas, disse a fonte.

Após a divulgação do vídeo, caberá à Procuradoria-Geral da República tomar uma decisão sobre o andamento do inquérito do Supremo que investiga o presidente a partir da acusação feita por Moro.

Originalmente, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo a abertura de inquérito sobre a fala do ex-ministro e citou uma série de supostos crimes que poderiam ter sido cometidos, como obstrução de Justiça, prevaricação e advocacia administrativa.

Augusto Aras só vai se pronunciar sobre o vídeo na próxima semana, disse uma fonte. Aras quer assistir ao vídeo com calma, cada uma das partes liberadas pelo STF. Ele não viu ainda a gravação, somente procuradores da sua equipe esta semana, disse a fonte.

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