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Prefeitura confirma reabertura do comércio em Belo Horizonte (MG)

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(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

A Prefeitura de Belo Horizonte (MG) confirmou, nesta sexta-feira (22), que a reabertura gradual do comércio não essencial começará na próxima segunda (25/5). A decisão foi anunciada pelo secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, que coordena o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da covid-19 na capital mineira.

A prefeitura distinguiu os possíveis níveis de abertura do comércio em seis etapas. As quatro últimas se referem a cenários em que o estabelecimentos considerados não essenciais podem funcionar:
  • Lockdown: nível máximo de fechamento, cogitado caso haja piora expressiva nos indicadores epidemiológicos de BH;
  • Fase 0: cenário atual, implementado em 18 de março, em que apenas comércios essenciais podem funcionar;
  • Fase 1: cenário que será implementado a partir da próxima segunda-feira (25/5), com duração de duas semanas e reabertura de alguns tipos de estabelecimento;
  • Fase 2: cenário previsto para a segunda semana posterior ao início da fase 1, com maior abertura que a etapa anterior. Será implementado caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis;
  • Fase 3: cenário previsto para a semana posterior ao início da fase 2, com maior abertura que a etapa anterior. Será implementado caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis;
  • Fase 4: cenário previsto para a semana posterior ao início da fase 3, caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis. Indica reabertura máxima do comércio.
Na fase 1, que começa na segunda-feira e durará duas semanas, poderão abrir as portas estabelecimentos que, na avaliação dos especialistas, têm menor potencial de gerar aumento significativo na circulação de pessoas na cidade. São eles:
  • Salões de beleza (exceto clínicas de estética) – Funcionamento das 7h às 21h
  • Shoppings populares – Funcionamento das 11h às 19h
  • Comércio varejista de móveis, artigos domésticos, cama, mesa e banho, tecido e afins – Funcionamento das 11h às 19h
  • Comércio varejista de papelaria, livraria, brinquedos e afins – Funcionamento das 11h às 19h (poderá abrir somente a partir de 1º de junho, na segunda semana da fase 1)
  • Comércio varejista de perfumaria, cosméticos e higiene pessoal – Funcionamento das 11h às 19h (poderá abrir apenas a partir de 1º de junho, na segunda semana da fase 1)
  • Comércio varejista de veículos, peças e acessórios – Funcionamento de 8h às 17h (poderá abrir somente a partir de 1º de junho, na segunda semana da fase 1)
Se os índices de propagação da doença se mantiverem estáveis, a prefeitura pretende dar prosseguimento à reabertura nas próximas semanas. Porém, as fases 2, 3 e 4 só serão colocadas em prática se houver sinalização positiva dos especialistas.
No processo de decisão sobre o avanço às fases seguintes da reabertura, o comitê avaliará diariamente indicadores epidemiológicos e infraestruturais do sistema de saúde de BH. Não estão descartados, por exemplo, o recuo no processo e um novo fechamento das atividades não essenciais.
“Todos os dias vamos monitorar. Ao menor sinal de perigo, esse processo pode parar ou voltar (à fase anterior). Pode voltar, pode haver lockdown. Vai depender dos nossos indicadores sempre. Se os indicadores que temos mostrarem que estão piorando, podemos interromper esse processo a qualquer hora”, disse o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto.
Para que as etapas seguintes do processo de reabertura se concretizem, a prefeitura vai estabelecer uma série de normas sanitárias que os estabelecimentos devem cumprir. Entre elas, estão o uso obrigatório de máscaras, a exposição de cartazes educativos e o respeito ao distanciamento social.
“O sucesso e a progressão (da reabertura) vão depender basicamente da população entender que é muito importante que continuemos em casa e que mantenhamos o distanciamento social”, disse Jackson Machado Pinto.

Indicadores

Para avalizar o início da reabertura, o grupo levou em consideração três variáveis para detectar a expansão da doença em BH: número médio de transmissão por infectado (quantos novos casos de infecção se originam, em média, a partir de uma pessoa que já está infectada), ocupação de leitos UTI e ocupação de leitos de enfermaria. Cada parâmetro desses é classificado por meio de cores: verde (menor risco), amarelo (intermediário) e vermelho (alerta máximo).
Segundo o comitê, dois desses parâmetros (leitos de UTI e enfermaria) estão na cor verde. As taxas atuais de ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria exclusivos para covid-19 em Belo Horizonte são, respectivamente, 40% e 34%.
Já o número médio de transmissão por infectado está no nível amarelo. O índice de transmissibilidade do vírus em Belo Horizonte está em 1,09.
Outro ponto avaliado pelo comitê é o índice de isolamento social, que atualmente está em 49% — abaixo do ideal.
“Gostaríamos que estivesse maior do que isso. Temos visto ultimamente um retorno dos automóveis às ruas. Na última semana, tivemos um aumento diário de circulação de 100 mil pessoas nos nossos ônibus. É muito importante que a gente restrinja as saídas de casa”, disse Jackson Machado Pinto.
Segundo boletim epidemiológico publicado nesta sexta-feira pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a capital confirmou 1.351 casos de covid-19. Desses, 39 evoluíram para óbito.

Sem Kalil

Como previsto, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) não participou da entrevista coletiva desta sexta-feira. A ausência teve o objetivo de mostrar publicamente que quem decide os rumos científicos do enfrentamento à pandemia na capital são os especialistas, não o chefe do Executivo municipal.
Do segundo andar do prédio da prefeitura, Kalil acompanhou as declarações dos integrantes do comitê.
O grupo é coordenado pelo secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, e conta com mais três membros: Estêvão Urbano (presidente da Sociedade Mineira de Infectologia), Carlos Starling (infectologista membro da Sociedade Brasileira de Infectologia) e Unaí Tupinambás (professor da Universidade Federal de Minas Gerais).

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