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Isolamento não é suficiente para salvar indígenas na Amazônia da Covid-19

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Por Bruno Kelly

TRÊS UNIDOS, Amazonas (Reuters) – Três Unidos, uma comunidade indígena na Amazônia, excluiu todos os visitantes, esperando que o isolamento a mantivesse segura da Covid-19. Mesmo assim, o novo coronavírus chegou.

Veio provavelmente por algum viajante no Rio Negro, que liga Três Unidos à Manaus, capital do Amazonas, a cinco horas de barco.

Os rios, vitais para as comunidades remotas, agora também estão levando a doença. Os locais com mortes confirmadas por coronavírus em um mapa publicado pelo governo brasileiro seguem os rios nessas partes remotas do país.

Waldemir da Silva, o chefe da aldeia mais conhecido como Tuxuau Kambeba, disse que o vírus veio silenciosamente, como se levado pelo vento.

“O vírus é traiçoeiro”, afirmou, usando uma máscara branca e um cocar de madeira.

“Começamos a ficar doentes e achávamos que era um resfriado, mas as pessoas pioraram. Graças a Deus as crianças não pegaram”, disse o homem, de 61 anos, à Reuters.

O drama das 35 famílias da tribo Kambeba se repete nas comunidades indígenas de toda a Amazônia, conforme a epidemia se move para cima de Manaus, uma das cidades mais atingidas do país, onde os hospitais estão sem unidades de terapia intensiva disponíveis e os cemitérios usam covas coletivas para enterrar os mortos.

MEDO DE INFECÇÃO

Com o vírus vem o medo. Pela incapacidade de saber quem tem o vírus. Pelos cuidados de saúde de baixa qualidade. Pelo futuro dos povos indígenas.

Um grupo conservacionista sem fins lucrativos, a Fundação Amazônia Sustentável, com sede em Manaus, está tentando ajudar. Doou kits de teste e o governo do Estado entregou 80 na quinta-feira à aldeia Kambeba.

Três pessoas tiveram resultado positivo quando foram testadas pela técnica de enfermagem da comunidade, Neurilene Kambeba, somando-se aos 13 casos confirmados anteriores na aldeia de 106 pessoas.

“Temíamos que toda a aldeia estivesse infectada porque muitas pessoas tinham sintomas e não tínhamos como saber”, disse.

“Estamos lutando para que o vírus desapareça e ninguém morra, porque Manaus está muito longe e talvez não cheguemos lá a tempo de salvar um paciente grave.”

A comunidade está tratando os doentes com bebidas quentes de ervas tradicionais prescritas pela idosa indígena para curar doenças, como alho e limão para tosse, ou mangarataia, a palavra para gengibre em seu idioma.

Virgílio Viana, chefe da Fundação Amazônia Sustentável, disse que as aldeias mais próximas a Manaus são as mais vulneráveis à infecção pelo coronavírus.

“Os testes rápidos são muito importantes para diagnosticar os casos de Covid-19, para que os protocolos médicos de distanciamento social possam ser seguidos para evitar o contágio”, afirmou Viana.

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